Pacientes com deficiência aprendem a caminhar usando realidade virtual

AASDAP/ Lente Viva Filmes

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Um experimento inovador mostra que interfaces cérebro-máquina, quando utilizado em conjunto com exoesqueletos e realidade virtual, pode desencadear uma recuperação parcial em pacientes em recuperação de lesões na medula espinhal.

“Não poderíamos ter previsto esse resultado clínico surpreendente quando começamos o projeto”, disse o neurocientista brasileiro Nicolelis, em uma apresentação a imprensa. “O que estamos mostrando nesse artigo é que pacientes que usaram a interface cérebro-máquina por um longo período apresentaram melhoras motoras, táteis e nas funções viscerais”. Em um novo estudo publicado (em inglês) na Scientific Reports, oito pacientes com lesões medulares mostraram uma recuperação parcial no controle de músculos e sensações nos seus membros inferiores seguindo um treinamento extenso com robôs controlados pelo cérebro e um sistema de realidade virtual. Desenvolvido pelo neurocientista Miguel Nicolelis e seus companheiros, o sistema aproveita a própria atividade cerebral dos pacientes para simular o controle total das suas pernas, causando a recuperação de parte da medula.

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Pesquisadores nunca tinham visto esse nível de recuperação em pacientes diagnosticados com lesão medular completa. Cinco dos participantes do estudo estão paralisados a pelo menos cinco anos, enquanto dois deles estão a mais de uma década.

Durante o experimento, que durou um ano, Nicolelis e seu time investigaram como as interfaces cérebro-máquina (ICM) poderiam influenciar na habilidade de deficientes caminharem utilizando um exoesqueleto controlado pelo cérebro. Para melhorar esse processo, eles migraram para um ambiente de realidade virtual, que ajudou na visualização e consciência mente-corpo. Enquanto estiveram na realidade virtual, e quando auxiliados pelo exoesqueleto, os pacientes puderam ver sua própria representação no ambiente virtual e o retorno tátil com o exoesqueleto.

Os resultados foram extraordinários. Os pesquisadores observaram melhoras drásticas nas capacidades sensoriais dos pacientes abaixo da área onde sofreram a lesão, incluindo localização da dor e de toques. Eles também mostraram melhorias no controle voluntário dos músculos abaixo da lesão. Antes desse estudo, ninguém havia conseguido resultados similares.

Olhando para frente, os pesquisadores planejam utilizar esse método com pacientes recém diagnosticados com lesão medular, para determinar a eficácia de tratamentos rápidos.

Fonte: Gizmodo.com

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